FATOS E OPINIÕES 10





O AEROPORTO

Alberto Corrêa e Castro Neto


Recentemente a grande imprensa noticiou o aeroporto de Cabo Frio como um bom exemplo de como uma administração ágil é capaz de render frutos para o setor. Foram registros efetuados no jornal “O Globo” de 21 e 26/02/2012 e, nessas matérias, aquele jornal cita o nosso aeroporto como modelo para novas licitações, como aquelas realizadas em Guarulhos, Campinas e Brasília.

Mas a história do aeroporto de Cabo Frio começa há muito tempo, ainda na década de oitenta, mais precisamente em 1988 quando em árdua negociação com a empresa Perynas, o então Prefeito Alair Corrêa conseguiu 1 milhão de metros quadrados para a realização de um de seus sonhos – construir um aeroporto para Cabo Frio.

Este sonho começou a se concretizar em 1997 quando se deu início à sua construção, capitaneada por Alair e seu Secretário, o saudoso Jacob Mureb. Foi inaugurado em dezembro de 1998 com uma pista de 1.800 metros. Já era considerado, naquela época, o maior aeroporto do interior do Estado do Rio de Janeiro.

Mas não foi somente esse o seu pioneirismo. Em 2001, através de processo licitatório, foi adjudicada – sob regime de concessão – a operação do aeroporto para a empresa Costa do Sol Operadora Aeroportuária S. A., por um período de 22 anos. Com uma antecedência de 10 anos em relação ao atual governo federal, o governo municipal de Cabo Frio vislumbrou esse “modus operandis” como o de maior eficácia para a gestão desse aeroporto.

Nos idos de 2005, os governos federal e estadual se despertaram para a potencialidade deste verdadeiro centro logístico e investiram na sua ampliação, com aumento de sua pista para 3.200 metros além de outras facilidades, por exemplo entreposto aduaneiro e recintos alfandegados. Foi reinaugurado em 2007, sem contar com a presença de seu mentor e construtor, tudo por um misto de inconfessável inveja, desmesurada mesquinhez e colossal incompetência.

É claro que este aeroporto é um centro nervoso para toda a região, um elo de ligação com o mundo tendo em vista as suas possibilidades de distribuição de cargas e proximidade de grandes empreendimentos (Itaguaí, complexo Açu, área “offshore”, industria naval, etc.). Mas, ele é muito mais do que isso!         

As distâncias aéreas de Cabo Frio para: Rio (141 km), Macaé (78 km), São Paulo (550 km), Belo Horizonte (400 km) ainda não despertaram os empresários para pequenas companhias de aviação que façam esse trajeto em tempo infinitamente menor do que o deslocamento rodoviário. Imaginem uma linha aérea Campos-Macaé-Cabo Frio – Santos Dumont (RJ), ou seja, desembarcar o passageiro no centro da cidade do RJ em poucos minutos. Acho que isso iria interessar bastante aos empresários dessas cidades, aos órgãos governamentais e, até mesmo, turistas e passageiros eventuais para esses locais. Mas, isso é uma outra história!

Gostaria de terminar este texto com a reprodução de mensagem eletrônica enviada pelo Sr, Paulo Brunner, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ex-Presidente da FERLAGOS, ex-Secretário Municipal de Cabo Frio, que viveu intensamente todos os momentos anteriormente relatados e não se conformou com esse “esquecimento” do jornal

Cabo Frio, 28 de fevereiro de 2012
 
Prezado Senhor
João Roberto Marinho
Vice-Presidente das Organizações Globo
 
            Como cidadão cabo-friense, antes de qualquer comentário, faço questão de externar meus sinceros agradecimentos pela reportagem veiculada na seção de Economia do jornal O Globo relativa ao Aeroporto Internacional de Cabo Frio, bem como pelo Editorial publicado no domingo passado sobre o exemplo da bem sucedida “privatização” dos serviços aeroportuários lá prestados.
            Em primeiro lugar, é imperioso não esquecer que o Aeroporto de Cabo Frio foi fruto de uma longa e difícil negociação do então Prefeito Alair Corrêa, com órgãos estaduais e federais, especialmente pelo antigo Ministério da Aeronáutica. Suas obras foram executadas com a maioria dos recursos advindos do Município e verbas federais específicas para este setor. A construção de todo o complexo foi concluída em 2001, durante o segundo mandato consecutivo de Alair Corrêa como Prefeito.
            Em segundo lugar, cabe esclarecer que a Prefeitura de Cabo Frio é a única proprietária do Aeroporto e não houve, no caso, processo de privatização. Na verdade, ainda em 2001, os serviços aeroportuários foram objeto de um processo licitatório vencido pela empresa Costa do Sol. 
            Face ao exposto, solicito que estas informações sejam lembradas nas próximas reportagens, artigos ou citações que forem feitas com relação ao Aeroporto de Cabo Frio.
            Certo de sua atenção, aproveito o ensejo para lhe manifestar meu apreço e distinta consideração.
 
Atenciosamente
 
  Paulo Sérgio Brunner Rabello
Professor Adjunto da UERJ

Bem, até a data presente não houve publicação desse texto em qualquer veículo da organização, nem qualquer resposta ao autor!



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